Metaforas Terapeuticas Erickssonianas

Terapeutas erickssonianos utilizam de metáforas para passar a mensagem sob medida. Ventos que chegam, envolvem, tocam, e se vão. Ir! Caminhar, ventos que envolvem e deixam suas marcas virtuais. Ventos que surgem do coração, de dentro, e vão fazendo seu caminho, boa viagem! José

Tuesday, January 23, 2007

O PESCADOR, A REDE , O MENINO

Eu não sei se você já viu a luz da noite, eu não sei se você já viu a escuridão do dia,e eu não sei se você já escutou a voz do silêncio,e o ruído dos pássaros que se aquietam em seu canto,mas você pode se colocar numa praia qualquer que você queira estar.
Você pode saber que quando a luz das estrelas se misturam com a luz prateada da lua menina,muitas coisas podem acontecer na quietude da madrugada.A luz da noite convida alguns pássaros para sair a viver e outros pássaros a se aquietar,acomodando-se num lugar de proteção ,da maneira segura que eles querem.A luz do dia convida alguns pássaros para viver,a cruzar o céu anil numa magia de cantar sobre o topo das colinas,descaroçando pequenos frutos.Mas a luz do dia convida outros pássaros a se aquietar,procurando um canto de maneira segura que eles querem.
Uma rede de pesca foi feita para pescar.
Desde a sua criação, onde mãos carinhosas,lépidas,adestradas fazem os nós da vida para que ela possa mergulhar no oceano do inconsciente.A rede de pesca é feita de nós.Você conhece o oceano da vida inconsciente?Ele existe,num lugar muito muito fundo,de águas cristalinas,rico em cores e vida.
Se uma rede de pesca não pesca ,ela não exerce sua função de ser rede de pesca.
Pois ela esperou.
Como ela esperou!
Em cima da madeira tosca,recebeu gentilmente,saudavelmente,toda a luz das estrelas naquela noite.A rede de pesca viu todos os cometas que ali passaram.Um a um.Viu sua cauda de fogo,seu poderio,sua beleza,escutou deles a histórias do universo inteiro,de mil anos atrás,de mil anos a frente.Sonhou . Recordou.
E ela também esperou, sob os aspecto cinzento das nuvens,nas horas de pouca emoção ,sem luar,somente o aspecto nebuloso,silencioso das nuvens que tampam a nossa visão.Eram horas difíceis aquelas, sem poder exercer sua função de existir,de pescar,sem poder escutar a historia dos cometas,sem poder ver o que se pode ver,somente tendo em sua frente a nebulosidade.A nebulosidade.
E tudo na vida passa.
Como as nuvens passam.
Como um pássaro no céu passa.
Como as águas do riacho cristalino passam.
Assim ,quando a luz do astro rei convidou alguns pássaros para o aconchego,e outros para a vida.
Quando a luz do astro rei inibiu a luz da estrelas e o céu corou de vergonha ,avermelhando-se,clareando-se ,agigantando-se,os primeiros pescadores saíram para pescar.Um pescador existe para pescar.Pescando ele faz a que veio.
Sempre que um pescador sai para pescar ele deixa marcas na areia por onde passa.A areia da praia abraça seus pés em homenagem a rede de pesca que sentirá sua razão de existir.O pescador fará o que deve ser feito .Integrando-se com a rede de pesca,viverão.
As mãos rústicas apanham-na e começam a arrastá-la pela areia infinita.Siris que morreram a 10 anos estão ali,camarões despedaçados pelos peixes ,fragmentados, estão ali.Corais mortos,conchas quebradas ,sílica,tudo, construindo a areia colorida,para que o pescador possa dar a rede a oportunidade,a oportunidade, de fazer a que ela veio,pescar.
As pegadas do mestre são apagadas pelas pegadas do discípulo.
O pescador andava.Suas marcas ficavam na areia por um tempo pequeno.Arrastando a rede atrás,a última marca era daquela que exerceria sua função de existir.Entram na água,a primeira onda lambe-lhes as parte.A espuma branca refresca e desmancha-se.A segunda onda maior vem e molha-lhe os joelhos.Os joelhos são aqueles responsáveis pela flexibilidade ,para que possamos aproximar da terra mãe,da água ,da planta.A terceira onda ,a quarta,a quinta,a sexta,e na hora certa,no momento certo,na profundidade certa,o pescador lança a rede ao mar.Ela sente a força brusca do arremesso,a força da decisão .Seu corpo brilha em contado com a luz do céu.Fios transparentes que ficam dourados.Cai na água fria, fios transparentes que ficam azuis.
Vida, realização,o aprendizado da escuridão ,o momento certo de partir.Ela mergulha no oceano cristalino do mundo inteiro para viver a emoção de ser a que ela veio.
Num canto não muito distante dali,um garotinho de 8 anos,frágil,com olhos miúdos,amendoados,com a cabeleira castanha ,a pele lisa como a calmaria dos longos oceano,e no peito,no peito aquele coraçãozinho pequeno,coração de criança ,mas com um grande sonho, o sonho de sonhar ,o sonho de viver,o sonho de viver.Viver.Sonho de admirar a rede ser lançada ao mar.Ele tudo observa,tudo sente,e tudo escuta.Depois caminha na areia.
As pegadas da pureza marcam as marcas do pescador que carregava a rede que pescava.
Em todo momento que uma rede faz a sua função a que veio ,perto dali alguém observa,e sonha.

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