Metaforas Terapeuticas Erickssonianas

Terapeutas erickssonianos utilizam de metáforas para passar a mensagem sob medida. Ventos que chegam, envolvem, tocam, e se vão. Ir! Caminhar, ventos que envolvem e deixam suas marcas virtuais. Ventos que surgem do coração, de dentro, e vão fazendo seu caminho, boa viagem! José

Tuesday, October 16, 2007

Acidente da Tam em Congonhas e a pérola.







Quatro dias após o acidente da Tam, eu estava em frente aos destroços,no canteiro principal em SP.Eu podia ver os familiares chorando,orando,muitos policiais e a imprensa. Eu estava debaixo de uma daquelas árvores do canteiro principal. E,então, percebi que elas produziam frutos como se fossem ostras. Ostras são frutos do mar, e aquelas eram frutos do ar. Uma ostra produz pérolas que devem existir para externalizarem sua beleza. Uma ostra do ar produz pérolas que poderiam ser oportunidades de transformação. Eu coletei os frutos ,tomei em minhas mãos aquelas pérolas do ar e plantei. Como eu iria dar oportunidade daquelas sementes que estavam em frente ao acidente aéreo,que presenciaram tanta dor, a ter oportunidade de mostrar a beleza de sua pérola? Transformando-se! Suas sementes nasceram algumas,outras não.Estão com 10 cm, e todas as manhãs as vejo, transformando dor em novas pérolas do ar, do ar... Uma pérola foi feita para sair das produndezas e experenciar sua beleza. Assim,se alguém passar por aí,e de repente ver ostras dependuradas em árvores.lançando pérolas aos ares,podem pensar, que, talvez ,elas possam ser filhas da dor, e estão fazendo a metamorfose de uma parte da vida em oportunidades.

A ostra do ar


Mergulhe-se
 na profundidade das águas do mar.
Mergulhe-se na profundidade do ar.

As águas do mar possuem movimentos próprios , que vão , que vem , que circulam, que levam, que trazem. Conduzem.
Os ventos do ar possuem movimentos próprios , que vão ,e levam ,e envolvem, e tocam, e temperam , e esquentam o frio.
Para se chegar ao fundo do mar você precisa mergulhar,
mergulhar-se,
ir fundo ,
ir com profundidade na profundidade.
E quando lá estar, estar lá. Estar com você próprio . Aí pode-se notar as cores que a luz do sol consegue retirar da vida do fundo do mar. As explosões do sol partem de grandes explosões nucleares e viajam pelo vácuo do espaço por milhões de quilômetros, são filtradas pela camada de ozônio da terra,pela atmosfera, pelos grãos de poeira,mergulham no mar e vão fundo ,para o fundo. Quando se quer ir ,pode-se ir . Na viagem à um objetivo se permitir modificar. A luz do sol sai de uma explosão violenta para mergulhar nas águas azuis do fundo do mar.E lá,depois de percorrer,de mergulhar, cuida de mostrar dos corais a sua cor. Da violência sai a cor que agrada. Viagem espacial para transformar. Talvez você não saiba, talvez a luz do sol não saiba, mas as vezes é preciso mudar para pôr a cor.
Para se chegar ao fundo do ar é preciso ter um olhar, e ter tato ,e deixar se conduzir pelo seu movimento,e que ela traga percepções de outro locais, que carregam idéias de re novação , re nova ação . O vento do ar foi criado pela diferença do quente do frio. O pedaço do ar frio pesa, abaixa-se ,o pedaço do ar quente sobe,levita. O movimento de formar o vento que leva o pólen para bem lá, que gera. Diferenças que podem gerar o que será a semente.
Penetrar no ar e entrar com o vento pela re nova ação .
Ir.
Vá .
Em algum local é preciso o pólen que aqui está. Ar que sobe,ar que desce, o vento, toca e leva.
Ir.
No fundo do mar existem seres acinzentados ,com o corpo coriaceo, irregular, totalmente fechado. São as ostras do mar. Seres filtradores da água.O que é precioso para sua vida é despercebida para outros. Seu alimento é o invisível, da água do mar. Estes seres filtram e depositam seu tesouro dentro de si.
A pérola que constroem, dia a dia, partícula a partícula,
vão sem ir,
no movimento estático de construir o tesouro dentro de si,
uma pérola . Ser pérola.

No fundo do ar, existem seres verdes, as árvores ,que fincam seus pés na escuridão e suas mãos na luz, deixam-se ir pelo vento, e voltam,no movimento eterno do ir,e do vir, e do balançar, dançando pelo ar, e quando o pólen de um outro vento chegar, e dentro dele um tesouro de pólen existir, e ele puder estar, movimentar-se e puder repousar na flor, vida ,gerar, e o falso ipê depois de dias a ostra do ar construir, ficar a filtrar a luz da explosão do sol, construir o fruto, a semente, e poder ficar ali,dependurado a serviço do vento , indo a ficar como semente.
Ostras do mar guardam seu tesouro dentro de si.
Ostras do ar guardam seu tesouro dentro de si. As ostras do ar,depois de velhas, abrem-se e liberam seus tesouros pelo vento,e as princesas vão , no movimento de ir a buscar o seu local para depositar,e fincar pés na escuridão,as mãos na luz, ir a ser, uma nova árvore.
Ostras do mar são feitas de duas partes.Ostras do ar são feitas por duas partes. Partes diferentes entre si. Se justapõe para dentro de si ,um tesouro guardar, uma pérola, uma semente. Muitas vezes correntes de vento puxavam uma parte a um lado, a outra a outro lado. O ideal de construir o tesouro as mantinham unidas.
Partes diferentes que se unem, para filtrar do invisível, a pérola, a semente, seu tesouro.
Ir sem ir.

Tuesday, January 23, 2007

RESGATANDO A MAGIA DA VIDA

em homenagem a Joyce Mills


Era uma vez um reino encantado , onde a beleza era ensinada em todas as escolas,e nas aulas ,os professores orientavam seus pupilos a cultivar muitas assinaturas de deus. As principais assinaturas de deus cultivadas eram margaridas ,eram violetas, eram orquídeas,e qualquer planta que possuísse pétala e cor . Os espaços desta vida eram pavimentados com a grama mais verde do reino.Era um verde tão intenso, mas tão intenso ,que dava vontade de se tirar os sapatos em caminhar por horas e horas,administrando aquele momento, sentindo as folhas tenras acolchoando a pele que pedia por aquele contato. Ali , muitos pequenos insetos podiam habitar. Flores miúdas pulsavam contribuindo na diversidade de tons.
Uma das matérias mais importantes das escolas deste reino era a ensinar os alunos a terem um brilho no olhar . E além do brilho no olhar,eles aprendiam a ter olhos transparentes, para que suas almas pudessem ter a oportunidade de estar em contato de uma maneira mais íntima com o universo que os cercava. Aproximar do universo que nos toca. Suas mãozinhas aprendiam a acariciar , a abraçar , a sentir. Mãos que podem também ver com olhar transparente.
Na praça principal deste reino havia uma fonte .

A fonte da vida.

Todos os dias ,no momento das refeições ,a fonte começava a emitir uma porção de borboletas amarelas mágicas que saiam do fundo do espírito da terra,
para tocar o coração das flores.As borboletas tocam os corações da flores .
A cada toque, elas produziam um arco íris .
Toques de cores.

Os arco íris saíam então para visitar os locais por onde as pessoas estavam fazendo suas refeições . Nestes momentos, que os moradores do mundo mágico agradeciam aos arco íris por eles simplesmente existirem ,e por estarem ali. Todas as vezes que os arco íris eram agradecidos por alguém suas cores se transformavam em músicas ,ouvidas por quem agradeceu. O som era múltiplo ,mas sentido individualmente,visualizado pela emoção de agradecer e ser agraciado .
No final do dia ,os moradores do reino, reuniam –se nas praças para admirarem a noite que ficava incrustada por pérolas e diamantes estelares . Embeveciam-se da dança da princesa lua, o bailar das nuvens , o perfume do vento acariciador , a música dos pássaros da noite,a sinfonia de rãs , as orquestras do choque das águas do pequeno riacho .Ficavam ali,uns com os outros .
Somente estavam ali para desfrutar.

Há também tempos difíceis para os povos deste reino.Tempos ,onde os problemas surgiam,e que era muito importante se confiar,um no outro,e que eles deveriam resgatar o que aprenderam na escola ,sobre a como ter um olhar que brilhe e como olhar de maneira transparente,como o céu.Olhar de céu
E quando chegava a hora de morrer, o corpo do habitante deste reino, era trazido para a parte da relva mais intensa,mais macia,mais verde,mais ...e muitas borboletas amarelas eram soltas para tocar o coração dos que estavam ali, produzir muitos arco íris, e produzir muitas músicas, e para agradecer ao companheiro que partia ,por ele ter estado ali, por aquele tempo,e pelas lembranças que estavam ficando.
O mundo deste reino era tão encantado ,e tão mágico ,e tão poderoso ,
que ele se transbordou ,
e quando os arco íris iniciaram seus olhares brilhantes tocados pela transparência das mãos das estrelas ,eles deslizaram suavemente pelo universo ,sendo conduzidos pelas brisas do céu inteiro ,como as sementes das árvores de ipês,que voam,esparramaram-se por todos os mundos onde existia brisa.E nos mundos onde existia água ,eles deixaram-se conduzir pelo brilho da superfície prateada de qualquer córrego ,umedecendo de esperança regiões áridas de sentimentos. Além da brisa e da água ,este reino mágico semeou nos ouvidos e nos pensamentos dos carentes de resgatar a magia da vida,na transformação, toda a beleza que salvará a vida.
Assim ,quando você perceber alguma borboleta a tocar algo, ou ver algum arco íris no céu, ou, em seu pensamento eles estiverem agindo,você pode saber,as sementes deste reino estão se enraizando nas suas emoções.O reino mágico tocou você.E quando você perceber algum olhar brilhante,transparente ,algum toque carinhoso,este alguém já foi contagiado pelo resgate da magia da vida.Fique com ele a noite, extasiando-se da princesa lua, da melodia dos pássaros noturnos, fique ali, somente, mas saiba,que o reino mágico já faz parte de você ,e você dele.
É bom saber que reinos mágicos existem.
Mas uma coisa é preciso dizer,a borboletas das fontes vem do fundo da escuridão .

REVOLUÇÀO DAS PEDRAS

Sobre a cascalheira,o sol dava gargalhadas de cor.A temperatura era muito desconfortante .Os raios do sol ao incidirem sobre as pedras,esquentam-nas, as plantas desidratavam e murchavam,os insetos saiam dali buscando o frescor de qualquer outro lugar.Era uma provação aquele lugar.
As pedras ao receberem a luz do sol esquentam a si mesmas.Quando o sol vai embora,estas pedras começam a esquentar a noite,então os animais que fugiram do calor agora buscam o calor.Fugir e buscar,o jogo da vida das pedras.Há sempre a possibilidade de fugir e buscar.Ficando se queima,não ficando morre-se de frio.A dualidade envolve o universo .
Os cristais reuniram-se em bando.Alguns eram quebrados outros inteiros.Os inteiros não conseguem mostrar sua beleza porque um cristal só é cristal quando quebrado,mas em qualquer lugar ele é cristal.Embaixo da água,num mar de lama.Olhos que vêem cristais o reconhecem e se embelezam,quando estão quebrados.Quando nos quebrar? Os cristais se reuniram para tomar a decisão de embelezar a terra inteira e viver da emoção de amar. No alto da grande pedreira ,as pedras estavam expostas ao sol em confabulação .Eram hialinos cuja luz os atravessava quase intacta,eram os arroxeados,eram os da cor do coração ,eram rosas,eram os da cor do amor incondicional,eram os opacos,eram os foscos,e eram também os intactos,os que não foram quebrados e não sabiam qual beleza era a sua. Não saber qual beleza é a sua pode ser motivo de angustia para um cristal.Por fora é pedra marron ,sem formação de cristal,sem cor de cristal,somente parecido com um pedra qualquer.Mas mesmo sendo como uma pedra qualquer ainda é cristal,na sua constituição.
Os cristais queriam fazer a separação dos belos e dos feios.Grande temor tomou conta da pedreira.A segregação por beleza machuca os sentimentos das pedras. O maior e mais belo tomou a palavra.
Acusou as pedras brutas.
O mais transparente envaideceu-se de sua originalidade,o quartzo rosa gabou-se de sua emoções.
Assim pedra após pedra, todos deram a sua opinião ,pedras bela para um lado,pedras brutas para outro lado.Era a dor de quem vê.A visão pode enganar.
Quando o frio do inverno debruça-se sobre a pedreira ,as pedras diminuem de tamanho,mesmo que milimetricamente.É o fenômeno da contração .
Quando o sol surge as pedras esquentam-se e aumentam seu tamanho.É o fenômeno da dilatação.
As pedras crescem.Todos podem crescer,mesmo que não percebam seu frio ou seu calor.Tantos momentos de crescer e de não crescer,de diminuir e crescer,da chuva e do sol,dos animais que pressionam,dos microorganismos que atuam dia a dia,da vida ,até um dia,um dia a pedra de cristal abre um primeiro,imperceptível, trincado, na sua camada externa.A parte grossa de pedra abre-se ao exterior para a beleza sair.
A beleza irá salvar o mundo.
Ela deve habitar o exterior,ela deverá habitar o interior.Assim,ano após ano,séculos de crescer e de diminuir,o cristal se abre e mostra sua cor,sua transparência ,o formato de seus desenhos.A pedra , de bruta passa a ser bela, e partida.
Ela foi sempre bela. Agora reconhece-se .Cristais não tem a capacidade de verem-se como são por dentro.É necessário muito tempo de noite de frio e dias sol para se abrirem.A abertura para a beleza.A percepção da eterna beleza,desde sua constituição .
Ser belo.
A beleza é saber perceber-se como é.O respeito de ser como é.
E então o mundo das pedras continua a ser duro,quente,frio,embora repleto de muita beleza,para quem percebe a beleza.

O PESCADOR, A REDE , O MENINO

Eu não sei se você já viu a luz da noite, eu não sei se você já viu a escuridão do dia,e eu não sei se você já escutou a voz do silêncio,e o ruído dos pássaros que se aquietam em seu canto,mas você pode se colocar numa praia qualquer que você queira estar.
Você pode saber que quando a luz das estrelas se misturam com a luz prateada da lua menina,muitas coisas podem acontecer na quietude da madrugada.A luz da noite convida alguns pássaros para sair a viver e outros pássaros a se aquietar,acomodando-se num lugar de proteção ,da maneira segura que eles querem.A luz do dia convida alguns pássaros para viver,a cruzar o céu anil numa magia de cantar sobre o topo das colinas,descaroçando pequenos frutos.Mas a luz do dia convida outros pássaros a se aquietar,procurando um canto de maneira segura que eles querem.
Uma rede de pesca foi feita para pescar.
Desde a sua criação, onde mãos carinhosas,lépidas,adestradas fazem os nós da vida para que ela possa mergulhar no oceano do inconsciente.A rede de pesca é feita de nós.Você conhece o oceano da vida inconsciente?Ele existe,num lugar muito muito fundo,de águas cristalinas,rico em cores e vida.
Se uma rede de pesca não pesca ,ela não exerce sua função de ser rede de pesca.
Pois ela esperou.
Como ela esperou!
Em cima da madeira tosca,recebeu gentilmente,saudavelmente,toda a luz das estrelas naquela noite.A rede de pesca viu todos os cometas que ali passaram.Um a um.Viu sua cauda de fogo,seu poderio,sua beleza,escutou deles a histórias do universo inteiro,de mil anos atrás,de mil anos a frente.Sonhou . Recordou.
E ela também esperou, sob os aspecto cinzento das nuvens,nas horas de pouca emoção ,sem luar,somente o aspecto nebuloso,silencioso das nuvens que tampam a nossa visão.Eram horas difíceis aquelas, sem poder exercer sua função de existir,de pescar,sem poder escutar a historia dos cometas,sem poder ver o que se pode ver,somente tendo em sua frente a nebulosidade.A nebulosidade.
E tudo na vida passa.
Como as nuvens passam.
Como um pássaro no céu passa.
Como as águas do riacho cristalino passam.
Assim ,quando a luz do astro rei convidou alguns pássaros para o aconchego,e outros para a vida.
Quando a luz do astro rei inibiu a luz da estrelas e o céu corou de vergonha ,avermelhando-se,clareando-se ,agigantando-se,os primeiros pescadores saíram para pescar.Um pescador existe para pescar.Pescando ele faz a que veio.
Sempre que um pescador sai para pescar ele deixa marcas na areia por onde passa.A areia da praia abraça seus pés em homenagem a rede de pesca que sentirá sua razão de existir.O pescador fará o que deve ser feito .Integrando-se com a rede de pesca,viverão.
As mãos rústicas apanham-na e começam a arrastá-la pela areia infinita.Siris que morreram a 10 anos estão ali,camarões despedaçados pelos peixes ,fragmentados, estão ali.Corais mortos,conchas quebradas ,sílica,tudo, construindo a areia colorida,para que o pescador possa dar a rede a oportunidade,a oportunidade, de fazer a que ela veio,pescar.
As pegadas do mestre são apagadas pelas pegadas do discípulo.
O pescador andava.Suas marcas ficavam na areia por um tempo pequeno.Arrastando a rede atrás,a última marca era daquela que exerceria sua função de existir.Entram na água,a primeira onda lambe-lhes as parte.A espuma branca refresca e desmancha-se.A segunda onda maior vem e molha-lhe os joelhos.Os joelhos são aqueles responsáveis pela flexibilidade ,para que possamos aproximar da terra mãe,da água ,da planta.A terceira onda ,a quarta,a quinta,a sexta,e na hora certa,no momento certo,na profundidade certa,o pescador lança a rede ao mar.Ela sente a força brusca do arremesso,a força da decisão .Seu corpo brilha em contado com a luz do céu.Fios transparentes que ficam dourados.Cai na água fria, fios transparentes que ficam azuis.
Vida, realização,o aprendizado da escuridão ,o momento certo de partir.Ela mergulha no oceano cristalino do mundo inteiro para viver a emoção de ser a que ela veio.
Num canto não muito distante dali,um garotinho de 8 anos,frágil,com olhos miúdos,amendoados,com a cabeleira castanha ,a pele lisa como a calmaria dos longos oceano,e no peito,no peito aquele coraçãozinho pequeno,coração de criança ,mas com um grande sonho, o sonho de sonhar ,o sonho de viver,o sonho de viver.Viver.Sonho de admirar a rede ser lançada ao mar.Ele tudo observa,tudo sente,e tudo escuta.Depois caminha na areia.
As pegadas da pureza marcam as marcas do pescador que carregava a rede que pescava.
Em todo momento que uma rede faz a sua função a que veio ,perto dali alguém observa,e sonha.

A HISTÓRIA DO PINGO DE CHUVA

Numa nuvem do céu morava um pingo de chuva.Ele considerava aquela moradia, aquela nuvem, um ótimo lugar para se estar. Era uma nuvem muito branca , fofinha e agradável. De lá o pingo de chuva podia ver de perto o grande sol, bem amarelo e brilhante.Como ele era belo. Também do alto podia se ver o verde das matas e o marrom das montanhas que se misturavam com o verde das matas.Era uma vista surpreendente.E mais ,daquela nuvem também podia se ver o azul profundo do oceano com suas ondas brancas que dobravam a cada movimento. Era uma vida tranqüila,viver ali, daquela nuvem. Observar o nascer do sol ,sentir o movimento fresco dos ventos alísios,admirar a lua.- Uau,aquilo era uma vida!!!

Um dia a temperatura quente do ar mudou.Sua moradia se escureceu. Esfriou, e tudo estava estranho. Algo estava no ar.A gota de chuva então sentiu que uma força diferente conduzia a situação a uma mudança.Ela sentiu medo . Era um frio na barriga. Com o frio ele sentiu-se pesado.E mais ,mais,mais pesado. Tão pesado que a força da terra o puxava para baixo.O pingo se agarrou com suas forças para preservar a tudo que ele tinha . Não queria sair de seu paraíso ,de sua nuvem. E então aquela grande força o puxou para baixo. Começou a cair com uma velocidade pequena e depois foi crescendo a descida. As coisas estavam confusas.Como elas estavam confusas. O novo caminho a percorrer,a saída de sua proteção ,a velocidade, o movimento do ar.Era aterrorizante . O pingo de chuva desceu ,desceu ,e desceu.Assim ele notou que descer era só descer. E com o tempo seu medo foi se transformando em um sentimento melhor,era só um friozinho na barriga.Agora ele podia sentir a velocidade de cair e aquilo era muito diferente.Era incrível.Além da velocidade, novas moléculas de ar ele tomava conhecimento.E também a visão sobre a terra mudava,aumentava.O pingo de chuva se permitiu a nova experiência. Aquilo estava sendo fascinante,se permitir abandonar sua vida antiga e dar espaço para outra vida.

Ele caía , caía, caía e desfrutava de sua nova vida. Quando então do solo ele se aproximava ,se aproximava e se aproximava. O pingo de chuva viu por mais uma vez a situação se alterar. Não, frio na barriga não pensava. Aquela força estranha que parecia que era sobrenatural e estava sendo cúmplice novamente da mudança da situação o envolvia.De repente:
- splash,ele se arrebentou na terra. Foi um grande choque .O pingo de chuva sentiu seu corpo em contato com grãos de areia.Aquilo para ele era novidade.Um grão de areia a me envolver.Novamente ele estava desfrutando de uma oportunidade de experienciar uma situação . Já um pouco mais experiente,deixou-se levar protegidamente, sem perder a noção de que era água , que era pingo, que a força misteriosa abria a ele mais um aprendizado.Ele seguiu sua consciência harmonicamente. Aquilo o conduzia . O pingo de chuva começou a entrar no meio dos grãos de terra.Conheceu a escuridão .Conheceu a parte escura da terra e descobriu que lá existem seres vivos que desfrutam daquele lugar.Sentiu-se absorvido por algo piloso e também vivo,mas muito vivo.Era uma raiz.Ela o conduzia a canais finos.Ele experienciou seu corpo de pingo agora moldado em forma de tubo. Não mais lutando com as mudanças,agora aproveitava sua viagem de vida e sentia vida na proteção do desafio.Sentia –se subir.Mas pingos de chuva não sobem.Ele estava subindo. Não era maravilhoso? Foi deslocado até uma folha murcha na ponta de um galho.Chegou lá e fez vida na folha.Como é bom seguir o destino de um pingo de chuva. Fazer o que deve ser feito,confortavelmente.A folha ficou tão feliz com a água que a mantinha viva que no primeiro raio daquela lua ,uma lua feita de prata polida com as unhas do lobisomens das lendas da avós de colo macio.Aquela lua era a moldura para o choro da folha.A folha chorou de felicidade pois fora socorrida pela água da chuva.Ela chorou e chorou.Que choro bom,protegido.Agora podemos ver nosso pingo de chuva dependura na ponta da folhinha verde.Uma transformação .Ele era agora uma gota de orvalho,e foi crescendo até que a força misteriosa que governa as gotas de orvalho o sugasse para a terra novamente.As gotas de orvalho se uniram no solo,e se uniram também as gotas de chuva.Eram um pequeno córrego.Andavam em grupo,lambiam as raízes das plantas que moravam em seu leito.Assim todas as gotas iam se aglutinando,eram córregos,riachos,rios. Nosso pingo de chuva chegava ao mar.Quantos irmãos estavam ali pensavam ele.Será que passaram por medos como ele? Percebia assim que as experiências eram parecidas mas cada um possuía sua própria história e aprendizado.
Naquela manhã ,um vento forte e quente assoprava fazendo o mar ter cheiro.Era cheiro de mar e sol.O sol também pode ter gosto de mar.Aquele vento arrancou o pingo de chuva e fez ele subir.Subiu como nunca e voltou a ser nuvem.De volta ao seu lar,na nuvem branquinha e fofa ele pensou:
-Nossa ,pingo de chuva também tinha medo de chuva forte!
Começou a esfriar,uma força poderosa começou a alterar o ambiente.
As nuvens se escureceram.
O pingo de chuva sabia que ser a água tem que sua importante missão no mundo dos vivos,ser água e agir como água.
Lá do solo a plantinha pode ver um pingo se atirar de uma nuvem,confortavelmente,protegidamente,naturalmente, de uma nuvem do céu em direção àquilo a que viemos .